A Kylie Cosmetics é uma marca de cosméticos fundada e de propriedade de Kylie Jenner. Entretanto, apesar de fazer uso de um apelo livre de crueldade, a Kylie Cosmetics não pode ser considerada totalmente cruelty-free ou vegana, como explicarei de forma detalhada ao longo desse post.
Lembrando que antes de qualquer marca ser incluída nas listas do AriVegan.com, é realizada toda uma pesquisa de informações detalhadas sobre os testes, fórmulas, fornecedores, fabricação e distribuição de cada uma delas através de comunicação direta. Como blogueira vegana, meu trabalho leva em consideração todas as informações possíveis que fariam uma marca estar envolvida com qualquer exploração animal. Aliás, muitas das informações que levo em consideração aqui, não são verificadas por organizações ou selos “veganos” e “cruelty-free”. E não basta apenas a palavra da marca, existe também investigação por trás de informações que as marcas talvez não nos contem. Diariamente trago comprovações sobre novas empresas e seus produtos.
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coty compra a Kylie Cosmetics:
Printscreen obtido a partir da página oficial da revista Exame. Clique aqui para conferir na íntegra.
No fim de 2019, começaram a ser divulgadas na mídia informações referente à venda da marca de cosméticos de Kylie Jenner para a multinacional Coty, que, por sua vez, se tornou proprietária de uma participação majoritária na marca Kylie Cosmetics. E, embora faça uso de um marketing supostamente vegano e cruelty-free, essa aquisição afeta diretamente a relação da marca Kylie Cosmetics com a exploração animal, como irei explicar abaixo.
No site oficial da revista Exame, assim como em dezenas de portais de notícias, é possível encontrar informações sobre a sua compra. Confira abaixo parte da matéria publicada pela Exame:
“A empreendedora bilionária Kylie Jenner, da famosa família Kardashian/Jenner, anunciou a venda de uma participação majoritária na sua marca de cosméticos para uma gigante da indústria.
A Coty, dona de marcas como Risqué, Rimmel, Wella e Monange, irá pagar 600 milhões por uma fatia de 51% na startup de beleza de Jenner, a Kylie Cosmetics. O valor avalia a startup em 1,2 bilhão de dólares.
A gigante de beleza, com faturamento de 9 bilhões de dólares, foi fundada em 1904 na França. Para ela, a aquisição irá levá-la para mais perto do público consumidor e a deixará mais jovem e ágil.
“A transação também é um marco fundamental na transformação contínua da Coty em uma empresa mais focada e ágil”, disse a empresa em comunicado.”
coty é cruelty-free? não!
A Coty não é uma empresa livre de testes em animais (a comprovação dessa informação está disponível abaixo) pois a mesma vende seus produtos na China continental, onde testes em animais são obrigatórios por lei para que cosméticos sejam vendidos.
Sendo assim, a Kylie Cosmetics faz parte de um grupo empresarial que definitivamente não é livre de exploração animal. E, apesar da Kylie Cosmetics não comercializar produtos onde testes em animais são requeridos por lei, diferente de outras empresas de seu grupo, e mesmo que ela por si só use um marketing cruelty-free e vegano, não é correto nem seguro declarar que ela seja totalmente livre de crueldade. E o motivo é o seguinte:
- Quando empresas são compradas por outras, existe uma relação de lucros entre elas. Portanto, ao comprar produtos de uma marca em específico, você está dando dinheiro não somente para a marca do produto, mas também para sua empresa-mãe e seu grupo empresarial. Os lucros delas, querendo ou não, são relacionados.
- Assim sendo, você poderia estar dando dinheiro indiretamente para várias empresas que testam em animais ou que exploram animais de diversas outras formas, e nem iria imaginar que isso estivesse acontecendo.
Falando diretamente sobre o caso da Kylie Cosmetics, o dinheiro que você dá para os produtos dela, que alega ser uma marca cruelty-free, também irá beneficiar a multinacional Coty, que possui envolvimento com testes em animais.
testes em animais da coty:
Declaração obtida a partir do site oficial da Coty. Clique aqui para conferir na íntegra.
A Coty comercializa seus produtos onde testes em animais são requeridos por lei para a venda de cosméticos, como é o caso da China continental. Para entrar no mercado chinês, as marcas assinam um acordo permitindo que as autoridades do país testem a maioria de seus produtos em animais, além de pagarem taxas ao governo para que esses testes ocorram.
Ainda, é importante ressaltar que nenhuma empresa que está envolvida com testes em animais onde eles são requeridos por lei pode ser considerada cruelty-free, mesmo que esses testes sejam feitos apenas por terceiros. Afinal, é uma escolha da marca vender no local, e o termo cruelty-free só deve ser utilizado por empresas totalmente livres dessa prática, direta ou indiretamente.
A Coty, diferente de diversas marcas que decidiram tirar seus produtos da China devido a essa obrigação, ainda comercializa diversas de suas marcas no país em 2020, mesmo tendo a opção de não participar mais dessa crueldade. E, como destacado em vermelho na declaração anexada acima, a própria Coty confirma que seus produtos são testados em animais no país. Confira o posicionamento completo da multinacional:
“Na Coty, não testamos nossos produtos em animais e estamos comprometidos em acabar com os testes em animais em toda a nossa indústria. Todos os nossos produtos são seguros e foram desenvolvidos, fabricados e embalados em conformidade com as leis, regulamentos e diretrizes aplicáveis em cada país em que são vendidos.
Os especialistas em segurança humana da Coty analisam nossos ingredientes, bem como os produtos acabados, aplicando a melhor ciência, com base no uso de alternativas reconhecidas para testes em animais, dados de segurança existentes e, cada vez mais, compartilhando esses dados com outras partes e indústrias. Alguns governos ou agências estipulam o teste de produtos acabados em animais, de acordo com os requisitos regulatórios legais e locais. Um exemplo é a China, onde continuamos envolvidos no diálogo com as autoridades chinesas, inclusive através de nossa participação ativa em grupos da indústria, para encontrar alternativas para o uso de testes em animais.”
A Coty tenta usar um raciocínio que tem como objetivo fornecer uma ilusão da realidade, que até possa fazer sentido, mas que na prática é bem contraditório. Ela afirma que “estamos comprometidos em acabar com os testes em animais em toda a nossa indústria“. Todavia, ela mesma permite que as autoridades do país façam justamente o que ela afirma que está lutando para acabar. E não há como negar que isso é, no mínimo, extremamente contraditório.
O argumento de que ela defende a aceitação de testes alternativos e que tenta convencer as autoridades chinesas é usado por praticamente todas as empresas que vendem seus produtos na China, e que não são cruelty-free. Todas elas são empresas gigantescas, e não precisam necessariamente vender seus produtos na China, e consequentemente matar milhares de animais, para fazer com que o país melhore sua estrutura e práticas.
Elas possuem recursos, dinheiro e poder o suficiente, e poderiam facilmente ajudar as autoridades da China sem comercializarem seus produtos por lá, ou seja, sem participar da tortura e morte de qualquer animal. Entretanto, todas elas continuam presentes no país por ser um mercado altamente lucrativo na área de cosméticos.
Coty e sua presença na China:
Printscreen retirado do site oficial da Coty. Clique aqui para conferir na íntegra.
Apesar de já estar claro na declaração da Coty que ela comercializa seus produtos na China, o printscreen acima, obtido a partir do site oficial da multinacional, confirma mais uma vez a sua presença na região. A imagem deixa claro que a empresa possui sede e distribui seus produtos também no mercado chinês.
Além disso, muitas pessoas me questionam se as recentes mudanças nas leis da China sobre testes em animais significam que a Coty é finalmente cruelty-free. E, infelizmente, a resposta é não. No post China não colocou fim nos testes em animais. Entenda a lei do país de forma detalhada, explico quais foram as mudanças na legislação do país em 2019, e comprovo que, apesar de uma evolução, testes em animais ainda continuam sendo obrigatórios.
Grupo empresarial:
Como explicado anteriormente, a Kylie Cosmetics possui como empresa-mãe (proprietária) a multinacional Coty, fazendo assim parte de seu grupo empresarial juntamente com diversas outras marcas, como exposto na imagem abaixo.
Marcas citadas: Risqué, Monange, Wella, Wella Professionals, Biocolor, Bozzano, Koleston, Soft Color, Paixão, Adidas (desodorantes), Lucretin, Bitufo, Sanifill, York, Leite de Colônia, Cenoura & Bronze, Kylie Cosmetics, Kyle Skin, Alexander McQUEEN, Balenciaga, Bottega Veneta, Bourjois, Bruno Banani, Burberry, Calvin Klein Fragrances, Chloé, Clairol, Clairol Professional, Covergirl, Davidoff Parfums, Escada, GHD, Gucci, Hugo Boss, James Bond 007, Jil Sander, Joop!, Kadus Professional, Katy Perry Parfums, Lacoste, Lancaster, Londa Professional, Marc Jacobs Fragrances, Max Factor, Mexx, miu miu, Nautica Fragrances, Nioxin, OPI, Philosophy, Rimmel London, Roberto Cavalli, Sally Hansen, Sassoon Professional, Sebastian Professional, Stella McCartney, System Professional, e Tiffany & Co.

É importante ressaltar que, além da própria Coty (que não é cruelty-free), algumas marcas que fazem parte do seu grupo empresarial também possuem envolvimento com testes em animais de forma direta.
Já outras marcas do grupo Coty possuem um suposto marketing cruelty-free e vegano. Porém, por terem relação de lucros com uma empresa que ainda testa em animais ao fazerem parte do seu grupo empresarial, assim a beneficiando financeiramente, elas não serão incluídas na Lista de Marcas Veganas e Cruelty-Free.
Portanto, pela Kylie Cosmetics possuir relação direta com um grupo empresarial que não é livre de testes em animais, ela não será indicada por mim como cruelty-free, tampouco como vegana.
A Kylie Cosmetics está incluída atualmente na lista de marcas para evitar. Já para conferir todos os requisitos levados em consideração antes de uma marca poder ser incluída como cruelty-free ou vegana no AriVegan.com, confira a página do blog FAQ (Perguntas Frequentes).
Até o próximo post! Beijos.
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